quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ComputerWold: Você não está seguro. Trate de proteger dados sensíveis e aplicações web

Leandro Alencar 

Segundo o Gartner, os gastos globais com segurança da informação chegarão a US$ 71,1 bilhões em 2014, aumento de 7,9% em relação a 2013. Em 2015, esse mercado movimentará US$ 76,9 bilhões, principalmente em serviços que terão o uso crescente de dispositivos móveis, cloud e mídias sociais.

Como dá para notar, o segmento será um dos impulsionadores da área de TI no próximo ano e perguntas recorrentes como “Estamos realmente seguros?” “Nossos investimentos foram corretor?” e “Onde mais posso investir?” permearão a vida do profissional de TI.

Antes de mais nada, segurança da informação é um conjunto de dados relacionado ao sentido de preservar o valor que possuem para um indivíduo ou uma instituição. As características primordiais desta modalidade são atributos de confidencialidade, disponibilidade, integridade e autenticidade, abrangendo sistemas computacionais, informações eletrônicas ou sistemas de armazenamento.

É sempre bom ressaltar que as empresas fazem, ou já fizeram, investimentos em soluções como Firewalls, Sistemas de Detecção de Intrusão (IPS), filtro de conteúdo web e de e-mail, porém essas mesmas companhias investidoras negligênciam outras proteções a camada de aplicação. Por exemplo, sitemas ERP, SharePoint, sistemas de RH, sites de e-commerce, web sites, entre outros tipos de aplicações web.

Geralmente estes sistemas são baseados em uma aplicação e suas informações são armazenadas em um banco de dados e/ou servidores de arquivos. Para proteger esses dados, e como forma de impedir consultas não autorizadas, como ataques por vulnerabilidades de plataforma de banco de dados e/ou execução de códigos SQL (SQL Injection), é necessário realizar auditoria de todo acesso ou modificação nestas informações sigilosas.

Em cenários como estes é recomendável o uso de soluções de DataBase Security, que audita todo o acesso por usuários privilegiados e aplicações, alerta ou bloqueia ataques de banco de dados e pedidos de acesso irregulares, em tempo real, detecta as vulnerabilidades de banco de dados reduzindo a janela de exposição, identificar os direitos de usuário excessivos para dados sensíveis, além de acelerar a resposta à incidentes e investigação forense.

Para as aplicações web é necessária uma camada extra de segurança, por isso é recomendado o uso de Web Application Firewall (WAF), que é capaz de interagir e entender melhor o funcionamento das aplicações, podendo assim proteger contra ataques mais avançados e sofisticados, nos quais o “invasor” pode se aproveitar, por exemplo, de identidades válidas e se passar por um usuário legítimo, tendo assim, a partir da aplicação, o acesso a base de dados.

Soluções tradicionais de segurança de rede como firewalls, next generation firewalls e IPS não conseguem prover visibilidade e a granularidade necessária a proteger ataques avançados contra aplicações web.

Dessa maneira, vale investir em soluções de WAF e DBSecurity que entre os seus benefícios estão o de alertar ou bloquear solicitações de acessos baseado no comportamento da aplicação; identificar tentativa de explorar oportunidades conhecidas e desconhecidas e violação de políticas corporativas.

Essas ferramentas permitem pesquisar sobre as ameaças atuais; proteger vulnerabilidades das aplicações web através da integração com scanners de vulnerabilidades; e reduzir a janela de exposição e impacto até que sejam feitas as devidas correções. Com elas pode-se auditar todo o acesso por usuários privilegiados e aplicações; alertar ou bloquear ataques de banco de dados e pedidos de acesso irregulares (em tempo real); detectar as vulnerabilidades de data centers, identificar os direitos do usuário excessivos para dados sensíveis; e por último, acelerar a resposta à incidentes e investigação forense.

Portanto, é preciso que as empresas tenham ciência que não estão e nunca estarão 100% seguras. Devemos pensar em um conceito de segurança em camadas, protegendo desde a parte física até a parte a aplicação para assim tentar ficar um passo a frente do cibercrime.

G1: Após ficar no Reino Unido, Escócia ganha domínio na internet, o '.scot'



País decidiu não se tornar independente na última semana.
Para organização gestora, domínio é 'orgulho escocês'

Broche com o novo domínio na internet criado para a Escócia, o '.scot'.
Depois de a maioria dos escoceses decidir continuar parte do Reino Unido, a Escócia ganhou nesta terça-feira (23) uma forma diferente de ser independente dos britânico. O domínio de internet “.scot” (escocês) foi liberado a partir de hoje e poderá ser usado por páginas na web para substituir os usuais “.com”, “.net”, “.org” e até o “.uk”, que identifica os sites registrados no Reino Unido.

A “independência” já havia sido anunciada em julho e estava disponível para alguns estabelecimentos comercial. Agora, o registro é aberto a todos os interessados. Podem pedir o domínio indivíduos e organizações baseadas na Escócia ou aquelas que demonstrem ter conexão com o país. Segundo o Dot Scot Registry, organização que gerencia o domínio, o “.scot” é “designado como um domínio comunitário porque tem uma distinta linguística e dimensão cultural”, mas não é “um domínio limitado geograficamente por fronteiras físicas”.

Na última sexta-feira (19), o desejo de não deixar o Reino Unido ganhou o pleito com 55,3% dos votos válidos. A criação do novo domínio não tem relação com a autonomia prometida aos escoceses após a mobilização para tornar o país independente do Reino Unido. A possibilidade de usar endereços do tipo “.qualquercoisa” no lugar dos convencionais “.com”, “.org” e “.net” foi uma iniciativa entidade que gerencia alguns recursos da internet, a Corporação de Atribuição de Nomes e Números na Internet (Icann, na sigla em inlês).

Orgulho de ser escocês
Isso permitiu, por exemplo, que os primeiros domínios escritos em caracteres não latinos fossem liberados como “みんな”, que, em japonês, significa “todo mundo”, e que companhias pudessem ter seu próprio domínio, como a Globo e o “.globo”.

“Com o domínio ‘.scot’ agora disponível, as pessoas em seus lares tem uma nova oportunidade de expressar sua identidade escocesa ou afinidade on-line”, afirmou John Swinney, secretário de finanças, que é membro do conselho da Dot Scot. “Eu também vejo no futuro o ‘www.gov.scot’ nos próximos meses como um dos primeiros endereços web adotados pelo governo escocês.”

De acordo com o órgão, uma pessoa já comprou 20 endereços com o novo domínio. “Nunca houve melhor ou mais apto momento para registrar um domínio e orgulhosamente dizer: ‘Eu sou escocês’”, afirmou Graeme Davis, diretor da IT Foundations, uma companhia de tecnologia esconcesa.

A organização menciona um estudo realizado pela Fasthosts apontando que 71% dos escoceses afirmam se sentirem mais inclinados a comprar de uma empresa que use um endereço na internet com o domínio “.scot”.

Nesse mês, a cidade de Londres já havia ganho seu próprio domínio de internet, o “.london”. A outra localidade britânica a ter um foi o País de Gales. Berlin, Nova York e o Rio de Janeirotambém foram cidades que ganharam seu próprio domínio.


G1: Usuários afirmam que iPhone 6 dobra com facilidade


Ao ser colocado no bolso, ele pode dobrar levemente sem quebrar.
Usuário mostra em vídeo que smartphone dobra facilmente.
Usuário mostra que é fácil dobrar iPhone 6 com pouca força 
O iPhone 6, lançado nos Estados Unidos e em mais 9 países na sexta-feira (19) ganhou sua primeira polêmica. O primeiro telefone com tela grande, de 4,7 polegadas, é o mais fino já criado pela Apple e sua espessura está fazendo com que ele entorte ao ser colocado no bolso da calça.

Na internet, usuários relatam que o iPhone 6 dobra levemente, sem causar quebra da tela, ao ser colocado no bolso traseiro da calça e com o usuário sentando. Outros afirmam que o aparelho dobra ao ser colocado no bolso lateral da calça e com o usuário caminhando ao longo do dia. Outros dizem que apenas ao manipular o aparelho com as mãos ele já dobra levemente.

Um usuário publicou no YouTube um vídeo em que mostra, com pouco esforço, que é possível dobrar o iPhone sem quebrar a tela (assista aqui). Ele usa os dedos para empurrar a parte traseira do aparelho para dobrá-lo.

Ao site Gizmodo", o engenheiro Jeremy Irons disse que o iPhone foi muito bem construído, mas que a base traseira de alumínio é tudo o que mantém a integridade estrutural do aparelho, o que, por conta de metal ser maleável, ele dobra. Ele aponta que o tamanho maior do iPhone 6 e sua estrutura mais fina - os anteriores eram menores e mais "gordinhos" - permite que haja uma mudança estrutural ao sofrer alguma força.

Até a publicação desta reportagem, a Apple não se manifestou sobre o assunto ou informou se vai substituir os aparelhos que sofreram danos.

Fator Brasil: Axis lança seu próprio aplicativo de acesso a sistema de vigilância pelo celular


Aplicativos tornam possível acessar câmeras pela Internet para visualizar, em qualquer lugar do mundo, vídeos ao vivo e gravados.
São Paulo – A Axis Communications, criadora da câmera IP, anuncia o lançamento de um aplicativo próprio que permite ao usuário visualizar as câmeras de segurança de sua casa, loja, restaurante ou escritório enquanto está em deslocamento. A partir de agora, usuários de iPhone e Android poderão visualizar imagens ao vivo ou gravadas do seu sistema de videomonitoramento, armazenar vídeos e compartilhá-los quando necessário.

O aplicativo, integrado ao software gratuito Axis Camera Companion, emite alertas ao detectar atividades suspeitas – como a presença de pessoas em áreas de acesso restrito ou tentativas de bloqueio da câmera. Isso permite ao usuário tomar ações imediatas mesmo quando estiver no trânsito ou em outro país.

Junto com o aplicativo, está sendo lançada uma versão atualizada (2.2) do software AXIS Camera Companion, com suporte para o Axis Mobile Streaming. Essa tecnologia é especialmente projetada para dar acesso rápido e fácil a vídeos gravados ou ao vivo em alta definição, mesmo para instalações onde a largura de banda é limitada.

O novo aplicativo para uso com o Axis Camera Companion está disponível para download gratuito no site axis.com .

Axis Communications - Como líder no mercado de vídeo em rede, a Axis está liderando o caminho para um mundo mais tranquilo, seguro e inteligente – conduzindo a mudança do sistema de vídeo vigilância do analógico para o digital. Oferecendo soluções de vídeo em rede para instalações profissionais, os produtos e soluções Axis são baseados em uma plataforma de tecnologia aberta e inovadora.

A Axis possui mais de 1600 funcionários dedicados em 40 localidades ao redor do mundo e opera com parceiros em 179 países. Fundada em 1984, a Axis é uma empresa de TI com base na Suécia e listada na NASDAQ OMX Stockholm como AXIS.

G1: Microsoft quer ensinar programação a 1 milhão de jovens latinos


Companhia promoverá cursos no Brasil e mais 7 países.
Poderão participar jovens com idades entre 12 e 25 anos.
A Microsoft quer ensinar programação, de forma divertida, a mais de um milhão de jovens latino-americanos. A empresa norte-americana anunciou nesta terça-feira (23) na Colômbia a iniciativa "Eu Posso Programar", dirigida a jovens com idades entre 12 e 25 anos.

Eles poderão se inscrever gratuitamente nos cursos virtuais "Uma Hora de Código" e "Aprendendo a Programar", disponíveis na Colômbia entre 6 e 10 de outubro, quando vai ocorrer a "Semana do Código".

Os cursos também serão oferecidos no Brasil, Argentina, Chile, Equador, México, Peru e Porto Rico.

O curso rápido "Uma Hora de Código" trata do funcionamento da tecnologia e da criação de aplicativos. Servirá de "espaço para a imersão divertida nas ciências da computação", afirma a Microsoft.

Já o "Aprendendo a Programar", mais completo, possui 12 módulos que, segundo a companhia, permitirá ao estudante descobrir que "a complexidade técnica das ferramentas de desenvolvimento de aplicativos é um mito e pode ser aprendida por qualquer pessoa".

O curso mostrará os instrumentos necessários para a criação de novas tecnologias "desde os primeiros passos até o produto final", afirmou a Microsoft. Além dos módulos, os jovens contarão com ferramentas como vídeos, arquivos para download e provas para testar seus conhecimentos.

Idgnow: A decisão que tomarmos hoje é que vai fazer a TI de amanhã

Idgnow: A decisão que tomarmos hoje é que vai fazer a TI de amanhã


TI é o negócio. Mas para isso ser verdade, é necessário pensar estratégico. A atual TI está diante de dois cenários e ela terá que optar: se tornar irrelevante, à medida que deixa de ter o monopólio de fornecer infraestrutura e apps para a empresa, com o usuário buscando outras fontes, ou se tornar parte integral do negócio. A decisão que tomarmos hoje é que vai fazer a TI de amanhã. Conto aqui uma história hipotética, através de diálogos imaginários, de um CIO que tomou esta decisão.
Ele decidiu que queria liderar uma TI importante para sua empresa e então partiu para pensar estratégico e não mais como executivo de um setor chamado TI, mas como executivo de negócios, aproveitando seu amplo domínio de TI.

Seu primeiro passo: entender o contexto atual do negócio, saindo da caixinha…

Como ele disse: “levantei a cabeça da mesa e olhei ao redor”.

O que ele viu acontecendo na sua empresa? Mais e mais opções tecnológicas amplamente disponíveis aos usuários no mercado. Só ir lá e comprar, e os seus usuários já faziam isso… BYOD, BYOA, e outros acrônimos mostram que cada vez mais o fenômeno da consumerização tem influência estratégica nas decisões de como adotar tecnologia nas empresas.

Observou também que os usuários estão cada vez mais desenvolvendo tarefas que envolvem conhecimento (knowledge workers), (como ele) sujeitos à frequentes mudanças organizacionais (expansões e retrações de mercado, compra e venda de empresas e mudanças de foco estratégico ou de modelos de negócio (na sua empresa isso era tão frequente que gerava stress), e demandando um grau de colaboração e interdependência muito maior que há dez anos atrás. Segundo ele, hoje cada funcionário colabora com pelo menos dez outros indivíduos, de dentro ou fora da empresa, para exercer sua tarefa.

Descobriu que as decisões cada vez mais passam por um número maior de pessoas e demandam um volume muito maior de informações a serem analisadas. Foi fácil de validar. Bastou analisar o trabalho efetuado em algumas funções como marketing, operações (com grande interação com parceiros) e supply chain, que interage e colabora com uma complexa rede de relacionamentos. As frequentes mudanças organizacionais que sua empresa tem passado demandam forte pressão em áreas como RH, qualidade e jurídico. E esta mesma volatilidade também aumenta a demanda por mais knowledge workers, pois cresce significativamente as exceções às regras tradicionais da operação, exigindo maior autonomia e informações para execução das decisões e das próprias tarefas.

Além disso, no seu tour pela organização, viu que algumas funções estão se tornando cada vez mais sofisticadas, demandando muito mais informações para serem efetuadas como marketing (engajamento com clientes), vendas (maior conhecimento do perfil do comprador) e finanças (cada vez mais demandando algoritmos preditivos para validação de cenários). Esta mudança no contexto de como a empresa opera, mudou, segundo ele, totalmente as demandas pela TI. E ele não havia observado antes…

Como sua decisão foi não deixar TI se tornar irrelevante, partiu para ação proativa, e criou uma estratégia de se antecipar às demandas dos usuários. Sentiu que se continuasse em standby, aguardando as decisões dos negócios, para então agir, eles, usuários, simplesmente optariam por buscar soluções no mercado, em nuvens e lojas de apps, bypassando sua área de TI. Afinal, ele nunca teria recursos suficientes para atender a todos…Fez algumas mudanças em seu modelo mental, a que estava tão acostumado e segundo ele, difíceis de fazer. Afinal, estavam arraigadas em sua mente e hábitos.

Como disse, “é realmente difícil sair da zona de conforto”. Para isso ele conversou com o CEO e demais C-level e deixou de lado os planos de longo prazo, para se tornar mais flexível e iterativo nos processos de planejamento e desenvolvimento de iniciativas tecnológicas. Mostrou aos seus pares na empresa que um PDTI de 3 a 5 anos à frente não faz mais sentido. É jogar tempo, energia e dinheiro fora. Conseguiu que o CEO apoiasse sua estratégia da TI passar a assumir um papel cada vez mais de advisor e menos de fornecedor monopolista de soluções.

Olhando o contexto à sua volta, identificou que TI deveria prover o mais rapidamente possível a empresa de plataformas de soluções que permitissem uma maior colaboração interna e externa, possibilitando que os usuários criassem suas próprias soluções.
Foi o primeiro olhar com ótica outside-in, ou seja, olhou a empresa pelos olhos da empresa e não pelo ponto de vista da TI, como sempre fizera. Isso significa uma mudança e tanto… em vez de fornecer uma solução completa como acostumado a fazer na época do ERP, ele criaria um ambiente que separasse os dados funcionais dos interfaces, através de uma arquitetura de serviços, APIs e apps store interna. Os sistemas tradicionais e o próprio ERP deveriam ser desconectados dos interfaces atuais (que hoje são pouco intuitivos e inflexíveis), passando a ser acessados por apps front-end. A estratégia de TI passaria a de ser o responsável por manter a integração entre os sistemas que conectam os dados funcionais, mas os usuários passariam a ser responsáveis por criarem suas próprias apps (ou terceirizando o trabalho com a própria TI ou com fornecedores externos).

Como ele mesmo confessou, este cenário é imensamente desafiador para a TI de hoje. Quebra paradigmas. Mas é necessário, pois como a vantagem competitiva das empresas passa a ser a informação sobre os processos e não mais apenas os processos, o papel de TI muda, de provedor dos sistemas focados em processos como ERP, para o de criação de plataformas para apps analíticas. Assim, ele lembra, TI antes concentrava seus esforços em atender as demandas de finanças, produção, supply chain e RH. Agora, “a nova TI”, como ele diz, passará a atender mais fortemente marketing e vendas, serviço ao cliente e inovação em produtos e serviços.

“Teremos o desafio de sair da era do ERP para a era dos sistemas de analytics e apps com interfaces contextuais”. Neste momento, respirou fundo e disse “cara, é como participar de uma competição de Ironman, você simplesmente não sai correndo sem se preparar exaustivamente antes. Tem que treinar muito. Planejar, ver onde tem que mudar e corrigir os erros à medida que os for encontrando. Um dia, você estará preparado para competir”. Em resumo, sua mensagem foi: pense grande no longo prazo, comece pequeno e aja rápido.

Curiosamente, ele descobriu que o atendimento à estas funções de negócio é que iria definir se a sua TI seria relevante ou não para a empresa. Diferentemente do ERP onde os usuários não tinham alternativa, o acesso a ferramentas de analytics e apps não obrigam que os usuários dependam que seja feita via TI. Existem cada vez mais alternativas fora da TI e ele sentiu era realmente este o momento único de TI ter tomado a decisão de ser importante ou ser deixado na periferia do negócio. Já pipocavam aqui e ali várias iniciativas isoladas conduzidas pelos usuários, sem que ele soubesse que estavam acontecendo.

Definiu algumas prioridades. Uma delas é que mobilidade seria a regra e não exceção. E que apps móveis tem dinâmica diferente da que sua área de desenvolvimento estava acostumada. Teria que adotar uma nova arquitetura, baseada em serviços e APIs, e mudar o processo de desenvolvimento e entrega à produção, para um conceito de entrega contínua. Os modelos de governança que ele adotava e tinha orgulho, como ITIL, funcionam muito bem para o mundo dos ERPs mas não se aplicam ao dinamismo das apps móveis. Outra prioridade: dados. Deveriam ser armazenados para serem usados após sua utilização básica. Na prática, segundo ele, “comecei a estabelecer as bases para criação de Big data/analytics na empresa”.

Voltando a área de desenvolvimento, sua decisão foi de separar os interfaces dos dados funcionais. Ele observou que diversos segmentos de usuários tinham necessidades diferentes para uso dos processos e dados, e que os obrigar a usar o mesmo interface, como os sistema tradicionais fazem, era contra produtivo. Como TI jamais conseguiria fazer tantos interfaces diferentes optou por criar uma arquitetura que permitisse que os usuários desenvolvessem suas próprias apps, mas ele, como TI, manteria o controle da segurança. Foi a decisão de usar APIs e a arquitetura baseada em serviços. Para isso precisou desenhar estratégia, ainda nos passos iniciais, de criar maior engajamento com usuários, criar novos skills em TI (user experience designer, por exemplo), criar novas formas de disponibilizar apps (uma apps store interna) e implementar tecnologias adequadas para gestão, entre outras ações. Não é um processo que se faz em um dia…

Perguntei então quais suas diretrizes…Muito simples, respondeu. São somente sete:

1 – Ser rápido e antecipar-se ao invés de esperar pelas demandas dos usuários. Liderar o processo de disseminação da inovação na empresa. Muitas das inovações surgem naturalmente dos usuários e TI criará mecanismos para incentivar e disseminar estas inovações.

2 – Mobilidade em primeiro lugar. Mobilidade será regra e não exceção.

3 – Interfaces democráticos ou seja em vez de cada aplicação oferecer um único interface para todos os usuários, as aplicações terão agora seus interfaces desconectados dos dados e funcionalidades. Cada segmento de usuário pode desenhar e implementar seu próprio interface, geralmente via app.

4 – A TI apenas gerenciará a loja de apps. E estes serão desenvolvidos pelos usuários, por terceiros ou pela própria TI.

5 – A TI será responsável pela integração e segurança do ambiente. Claro, também manterá o ambiente legado que continuará importantíssimo, pois estes sistemas constituem a “praça das máquinas” da empresa.

6 – A TI não será mais monopolista. Isto significa que os usuários poderão escolher suas fontes de provisionamento de tecnologias. TI passará a assumir papel de advisor.

7 – Ser ágil não apenas na metodologia de projetos, mas em todo o ciclo. Adotar o modelo de entrega contínua. A sua fonte de inspiração foi este texto “ How the Software industry Redefines Product Management”, que compara duas grandes empresas Staples e Amazon e as diferenças entre elas no ciclo de entrega de produtos de software. O link é http://blogs.hbr.org/2014/06/how-the-software-industry-redefines-product-management/.


Bem, é uma história hipotética, mas poderia muito bem ser verídica…Por que não?

Fonte:"A decisão que tomarmos hoje é que vai fazer a TI de amanhã." IDG Now!. N.p., n.d. Web. 24 Sept. 2014. .


Idgnow: A TI e o paradoxo da inovação



Em um dos últimos eventos com CIOs, aproveitei o intervalo para conduzir um animado debate com alguns executivos. O tema principal foi o paradoxo de como fazer o setor de TI ser inovador sem deixar de manter a infraestrutura e seus sistemas operando com o máximo de disponibilidade e o mínimo de custos operacionais. Inovar implica em falhas e custos, pois nem sempre toda inovação corresponde às expectativas. Nenhum dos CIOs presentes à discussão disse que conseguia budget extra para desenvolver inovações, mas eram cobrados por elas. Os CIOs são pressionados a serem extremamente pragmáticos em seu uso dos budgets e recursos, e portanto acabam tornando-se avessos à inovação. Por outro lado, todos concordavam que precisam inovar. A questão então passou a ser como manter os custos baixos, sem gastos extras e incentivar inovação? Bem, da discussão surgiram alguns insights que gostaria de compartilhar aqui.


A primeira conclusão que chegamos é que o mindset precisa mudar. A questão deixa de ser uma decisão entre manter o que está ou inovar. É preciso substituir o “ou” por “e”. Sim, é preciso inovar e, ao mesmo tempo, manter os custos baixos. Entregar sistemas da mesma maneira que se entregava há cinco ou seis anos atrás já não é mais suficiente. Lembramos que o iPhone surgiu em 2007 e o iPad em 2010 e viraram de cabeça para baixo o conceito de aplicativos ou apps. Interessante que a classificação empresarial para sistemas passou a denotar sistemas pouco amigáveis, não intuitivos e de difícil manuseio enquanto os apps para usuário final são sinônimos de experiência de uso extremamente agradável. Os usuários questionam o porque desta diferença e a resposta simplista “porque empresarial é assim mesmo” não convence a ninguém. Portanto, é necessário uma mudança.

Nos últimos 20 a 30 anos a TI predominou na empresa como a fonte geradora e controladora da tecnologia. Implementou complexos sistemas como ERPs e mantinha sob controle quais tecnologias poderiam ou não entrar na empresa. Com o advento dos apps, cloud computing e o resultante fenômeno da consumerização, a TI passou a ser considerada um problema pelos usuários: fica no meio do caminho entre o que eles querem usar e os que lhes é permitido usar. Um entrave! Como resultado em muitas empresas, o fenômeno da “shadow IT” ou bypass do setor de TI começou a proliferar. Aí começa a ser necessário a mudança de mindset.

A TI que ainda acredita que deve dizer se o usuário pode ou não usar iPad está entrando no atoleiro. Além disso, só permitir o uso de iPads não é em absoluto inovação, é apenas entregar uma tecnologia já disponível. É simplesmente render-se ao fatos. A lógica deve mudar de “como devo entregar iPads ao meu pessoal de vendas” para “como a entrega dos iPads vai mudar nosso modelo de negócios e que novas oportunidades poderão surgir”. Não é ignorar os aspectos de segurança nas política de uso como BYOD (ainda é sua responsabilidade), mas ir bem além disso.

Um ponto importante foi levantado. TI ainda não é vista como área estratégica por muitas empresas, e a prova disso é muitos CIOs continuarem subordinados ao CFO ou diretor administrativo. Realmente, subordinação deste tipo é uma prova inequívoca de que a TI é considerada uma área operacional e centro de custos pela empresa. Em um caso extremo foi dito que ela fica tão distanciada da empresa que ocupa um prédio isolado da gestão e de setores importantes como marketing e vendas. “Meu CEO me disse que não sabe exatamente o que TI faz, mas que custa muito!”, disse o CIO desta empresa. Pois é, se você não sabe o que está comprando como julgar se é caro? Bem, minha explicação para o fato é que aquela TI não estava realmente atendendo às necessidades da empresa. Não gerava impacto palpável nas operações do negócio, apenas mantinha o dia a dia.

A discussão então passou a “ok, mas como inovar?”. Na minha opinião a contribuição da TI passará a ser de possibilitar a criação de novos modelos de negócio para as empresas.

A TI deve sair da defensiva e aproveitar o potencial de, ao mesmo tempo, conhecer os processos da empresa (pela implementação do ERP e demais sistemas) e de tecnologias, e usar este conhecimento para criar novos modelos de negócio. Para isso deve deixar em segundo plano o viés puramente tecnológico e passar a entender mais do negócio e do mercado em si. Gastar menos tempo com os fornecedores de tecnologia e muito mais com executivos de negócios da sua ou de outras empresas. Gastar menos tempo em eventos de tecnologia e mais tempo em eventos de negócios.

Este foi um ponto interessante. Uma rápida enquete mostrou que a maioria dos CIOs presentes à discussão frequentava quase que exclusivamente eventos de tecnologia dos fornecedores e não comparecia a eventos de negócios de seus próprios setores de indústria! Minha sugestão: inverta esta lógica…faça uma mutação genética, substituindo o DNA de viés tecnológico para um DNA de negócios, com visão futurista de uso da tecnologia. O CIO passa a ser também um evangelista de inovação e uso de novas tecnologias que façam mudanças nas empresas.

A questão é como fazer isso? Afinal é como mudar as turbinas de um avião em pleno voo. Não existem respostas únicas. Mas alguns insights foram gerados. Primeiro, buscar simplificação. Muitas vezes a proliferação de tecnologias de gerações diferentes cria um imenso pântano tecnológico, que demanda muito tempo e recursos apenas para mantê-lo operando. Simplificar isso é o primeiro passo. A computação em nuvem ajuda bastante, tirando das mãos da equipe interna uma grande parte de atividades que pouco ou nada agregam ao negócio. Um exemplo? Qual impacto nas vendas de uma migração de uma versão de sistema operacional ou de software de banco de dados? Uma TI simples é uma TI mais ágil.

Evite também criar sistemas que sejam muito complexos…Não abraçar mundo é uma boa ideia…Simplifique os seus sistemas internos, adotando o paradigma dos apps como modelo de referência. Repense também sua organização de TI. Está adequada às melhores práticas de uso de tecnologias ou são os mesmos modelos organizacionais e de processos de seis ou sete anos atrás, quando o “quente” era implementar um complexo ERP?

Utilize como benchmarks empresas do mundo da Internet que usam processos e modelos operacionais ágeis como DevOps e adotam o princípio da API Economy. E isto não é apenas coisa para empresas do mundo da Internet, serve para bancos, seguradoras e quaisquer outros negócios. Com uso de APIs muita inovação pode fluir pois grande parte dela será gerada e desenvolvida pelos próprios usuários, internos ou externos, retirando da TI toda a carga de pensar em apps inovadores. Os usuários sabem mais que o pessoal de TI o que realmente precisam usar para suas atividades. Com a TI disponibilizando APIs para os seus usuários, estes ficam mais livres para colocarem em prática suas ideias inovadoras.

Outra mudança é levantar a cabeça e olhar o mundo à sua volta. Em vez de se fixar “como entregar o projeto do novo sistema de vendas, pensar em “como identificar os problemas que estão realmente impedindo as vendas de aumentarem”. Foco no negócio. A tecnologia a ser adotada vai sair desta identificação. O pessoal de TI está inserido na empresa ou atua isolado, separado, com pouco contato com o negócio em si? Já passaram algum tempo nas áreas de negócio para ver “o outro lado?”.

Um CIO comentou que sua equipe mantém contato com os usuários apenas nas especificações do sistema e depois na implementação e correção de problemas. Não vive o dia a dia dos usuários. E portanto não é de estranhar que estes usuários não avaliem bem o trabalho de TI. Uma sugestão é criar e incutir uma missão bem clara para TI como “usar tecnologia para manter vantagem competitiva sustentável” ou algo parecido. Estar no negócio e não apenas ser parte periférica dele. Uma sugestão que apareceu no debate foi de criar “jams” periódicos que envolvam executivos e profissionais de negócios e de TI.

Criar um ambiente propicio à inovação. Porque manter nas instalações de TI o mesmo layout dos outros setores da empresa? Porque não adotar um layout que incentive inovação, como por exemplo fazem as empresas da Internet? Afinal quando se tem um grupo de desenvolvedores por que eles não podem ter o mesmo ambiente que o oferecido por um Google? Ambos não escrevem código?

Enfim, acabou o intervalo e voltamos à conferência. Mas ficou claro que coisas como “alinhamento de TI ao negócio” e PDTI já são coisas passadas. Não existe TI se não existir negócio e portanto estar alinhado deve ser natural, como nosso fígado está tão alinhado ao nosso corpo que só o sentimos quando algum problema de saúde aparece. PDTI significa que TI faz uma estratégia posterior e à parte da estratégia de negócios. Ora, a estratégia de negócios deve ter TI como parte integrante e essencial. Fazer um PDTI como sempre se fez é perpetuar o passado no futuro.


TI está passando por uma quebra de paradigmas. O que a fez chegar até aqui não necessariamente a levará ao futuro. Os CIOs estão sob pressão. Engraçado que vejo artigos falando do “ fim do CIO” mas não li nada até agora sobre o “fim do CMO”… Algo está errado. A tecnologia está cada vez mais entranhada nas empresas e que todas elas, em maior ou menor grau, tornar-se-ão empresas digitais. Não atuarão como empresas de tecnologia mas a tecnologia estará em seus processos e produtos de forma natural. E no cerne desta transformação está o setor de TI e os CIOs. Quem souber conduzir a transformação sairá bem na foto. Quem não souber…