terça-feira, 11 de março de 2014

INFO: Marco Civil da Internet pode ir a voto nesta semana


Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Considerado prioridade para o Palácio do Planalto, o Marco Civil da Internet pode ir a voto já nesta semana no plenário da Câmara e deverá ser alvo de disputa entre o governo e o PMDB em dois pontos centrais do projeto: a chamada neutralidade da rede e a exigência de que os datacenters sejam instalados em território brasileiro. O Marco Civil é uma das propostas mais importantes em análise pelo Congresso neste ano e é classificado como a Constituição da Web.

As operadoras de internet querem que "a liberdade de modelo de negócios" seja garantida. Elas entendem que, tal qual vinha sendo tratado no relatório do deputado Alessandro Molon (PT-RJ), a neutralidade poderia implicar na proibição da venda de pacotes com diferentes velocidades e franquia de dados. Para atender a demanda das teles, Molon promoveu alterações na redação, preservando o direito de tarifar de acordo com a velocidade contratada e permitindo limites de tráfego de dados, mas manteve o dispositivo que veda cobranças diferenciadas por tipo de conteúdo acessado.

Já a obrigatoriedade de que os bancos de dados estejam no Brasil, também criticada pelas teles, é uma bandeira assumida pela presidente Dilma Rousseff, por considerar que isso seria efetivo contra a espionagem - diversas denúncias vieram à público no ano passado de que o governo e empresas brasileiras foram alvo de espionagem de órgãos dos Estados Unidos. Esse tema sofre maior resistência no Congresso e o Planalto considera que será mais difícil mantê-lo no texto durante a votação. Além do PMDB e PP, partidos da base, a oposição também é contrária à exigência. Devido a falta de entendimento nesse ponto, os deputados fecharam um acordo segundo o qual o item será votado em separado, após a análise do texto base.

A redação também facilita, por meio de juizados especiais, a retirada de conteúdos da rede relacionados "à honra, à reputação ou a direitos de personalidade" dos usuários. Em casos de vídeos que contenham nudez e sexo, por exemplo, o projeto diz que os provedores devem remover o material da internet após notificação específica da vítima, numa resposta a casos de divulgação de vídeos íntimos. O pedido apenas poderá ser feito pelo representante legal da vítima ou pelos próprios envolvidos, sendo que os sites que não apagarem o material após a notificação poderão ser responsabilizados em eventuais ações de reparação de danos.

A votação do Marco Civil da Internet deve ocorrer em meio a uma crise política entre o Planalto e o PMDB, principal partido da base de sustentação do governo no Congresso. O principal opositor da matéria é o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que durante o feriado de carnaval chegou a defender a "revisão" da aliança com o PT e encabeçou a formação de um bloco de deputados independente do governo. O projeto é o primeiro de uma série de itens que trancam a pauta da Casa e precisa ser votado para liberar os trabalhos no Legislativo.

G1 - Banco do Brasil desliga integração com Facebook após reclamação


Banco disse que não vê risco para usuários, mas vai investigar.
Endereços acessados por usuários eram remetidos ao Facebook.

Altieres Rohr

O Banco do Brasil desligou, pelo menos temporariamente, a integração do internet banking com o Facebook após uma reclamação feita por um usuário na quarta-feira (5). Hisham Muhammad afirmou que a integração do Banco do Brasil com o Facebook significa que a rede social recebe o endereço de cada página acessada dentro do internet banking, mesmo para quem não usa a integração com o Facebook (Veja aqui).

"Fui verificar as conexões que o site já faz quando carrega... e lá estava. O site [envia] uma requisição ao domínio facebook.com de dentro do site do BB a cada página que eu acesso", escreveu Muhammad. Após uma troca de mensagens no Twitter, Muhammad conseguiu contato com o banco, que disse ter desligado o recurso.

Em nota enviada ao G1, a instituição confirmou que "desabilitou a funcionalidade para analisar os procedimentos envolvidos", mas que entende que a situação "não implica em fragilidade dos dados dos clientes".

O endereço era enviado ao Facebook pela função chamada de "referrer". Trata-se de um comportamento normal dos navegadores web no qual uma página, quando é referenciada por outra, é informada da origem do acesso - no caso, Facebook era informado do acesso vindo do internet banking do Banco do Brasil, que referenciava uma imagem no Facebook.

O Facebook, em seu acordo para desenvolvedores, informa que tem o direito de coletar dados de usuários de apps integrados com a rede social e que essa informação pode ser usada para finalidades comerciais, como a veiculação de anúncios publicitários.

O endereço da página do enviado ao Facebook não daria acesso ao conteúdo da página, tais como o extrato dos correntistas, mas poderia permitir descobrir quanto tempo uma pessoa ficou no internet banking, quando ele foi acessado e que tipo de recurso foi acessado, tais como pagamentos, extratos, cartões ou empréstimos.

Confira a comunicado do Banco do Brasil, na íntegra:

O Banco do Brasil oferece a seus clientes soluções tecnológicas avançadas e seguras.
O cliente pode utilizar suas informações das redes sociais para facilitar seu relacionamento com o Banco em ambiente seguro onde estão preservados os dados dos usuários.
Todas as soluções disponibilizadas pelo Banco passam por constante evolução e as contribuições dos clientes são importantes para aprimorá-las.
Mesmo entendendo que a situação apontada não implica em fragilidade dos dados dos clientes, o Banco do Brasil informa que desabilitou a funcionalidade neste final de semana para analisar os procedimentos envolvidos.

Folha de S.Paulo: Manifestante saudita é condenado a 10 anos de prisão por mensagens no Twitter


Um tribunal saudita condenou um homem a 10 anos de prisão e multa de 100.000 rials (cerca de R$ 60 mil) por participar de protestos contra os governantes do reino e usar o Twitter para incitar as pessoas a fazerem o mesmo, informou a agência de notícias estatal SPA nesta segunda-feira.

O porta-voz do Ministério da Justiça, Fahd al-Bakran, disse que o réu, não identificado, havia também retuitado mensagens contra a monarquia, eruditos islâmicos e os serviços de segurança, segundo a SPA.

"[Ele foi] condenado por entrar em um site da internet hostil ao Estado que incentiva o conflito e promove o pensamento de desafio", disse Bakran, referindo-se à ideologia da Al Qaeda.

O homem, que está preso há três anos, foi acusado e condenado sob as leis do país que criminalizam abuso na internet.

O veredicto foi anunciado dois dias depois de a Arábia Saudita ter designado a Irmandade Muçulmana, a Frente al-Nusra e o Estado Islâmico no Iraque e do Levante como organizações terroristas.

O decreto aplica-se aos sauditas e residentes estrangeiros que se unirem, endossarem ou darem apoio moral ou material a grupos classificados como terroristas ou extremistas, seja dentro ou fora do país.

A Irmandade renunciou à violência décadas atrás, ao contrário dos outros dois grupos proibidos, que são inspirados pela Al Qaeda.

LEI ANTITERRORISMO

A Arábia Saudita ratificou recentemente uma lei antiterrorismo que os defensores dos direitos dos cidadãos têm criticado, dizendo se tratar de uma ferramenta para sufocar a dissidência no reino.

Em um caso separado, o tribunal condenou outro réu a 8 anos de prisão por entrar em contato com um homem procurado pelas forças de segurança e tentar ajudar pessoas feridas durante as manifestações.

Ele também foi acusado de participar do cortejo fúnebre de uma pessoa que morreu durante distúrbios na Província Oriental, região saudita de maioria xiita, gritando slogans antigovernamentais.

Os xiitas, minoritários no país, vêm fazendo protestos esporádicos em Qatif desde 1979. A mais recente onda de manifestações na cidade começou durante as revoltas árabes de 2011 e continuou até 2012.

Folha de S.Paulo: Análise: Moedas digitais podem alterar modo de se fazer negócios


JOHN NAUGHTON

Se eu ganhasse um bitcoin a cada vez que conversei com alguém que me disse que essa moeda digital não passa de uma trapaça, nos últimos seis meses, eu estaria rico. Ou pobre, a depender do dia da semana de que estejamos falando.
Observar a taxa de câmbio do bitcoin nos últimos 30 dias foi como observar o percurso de uma montanha russa. Em 7 de janeiro, por exemplo, o bitcoin estava sendo negociado a US$ 934; em 27 de fevereiro, havia caído a US$ 528; e em 5 de março havia subido a US$ 678. Por isso, meu palpite é que se você estivesse "investindo" na (ou seja, especulando com a) moeda virtual, se sentiria tão zonzo quanto qualquer freguês de um parque de diversões em um mau dia.

Mas eis o que temos de verdadeiramente estranho: enquanto as pessoas "normais" - e muitos jornalistas dos grandes veículos - acreditam que esse negócio do bitcoin deve ser malandragem, alguns dos cientistas da computação e hackers que conheço acreditam que seja a ideia mais interessante a surgir em décadas.

E de certa maneira a discrepância entre as duas opiniões pode servir de chave à compreensão do fenômeno.

O escritor irlandês Jonathan Swift observou, em uma citação famosa, que "sempre que um verdadeiro gênio aparece, é possível reconhecê-lo pelo seguinte sinal: todos os burraldos formam uma conspiração contra ele". Isso é um tanto rude para com meus amigos e parentes, mas contém um grão de verdade.

Será que o motivo para que o bitcoin desperte tamanha hostilidade e controvérsia está no fato de que desafie escancaradamente o que sempre consideramos como verdade indiscutível - no caso a crença de que moedas confiáveis precisam ser emitidas e controladas por bancos centrais?
Rick Bowmer/Associated Press

Representação real da moeda virtual bitcoin


'CRIPTOMOEDA'

Pausa para um breve intervalo técnico. A Wikipédia oferece um verbete útil sobre o bitcoin, descrevendo-o como "moeda e sistema de pagamento pessoa a pessoa". Foi criado em 2009 por um sujeito demoniacamente esperto que atende pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto.

(Soa bem sinistro, não? É fácil imaginar esse tal Nakamoto acomodado em uma cadeira Eames, acariciando um gasto branco.)

Trata-se de uma "criptomoeda", assim chamada porque usa a criptografia para controlar a criação e transferência de bitcoins. (Criptografia, hein? A trama se adensa. E onde está o 007 quando precisamos dele?)

Os bitcoins são criados por um processo computacional chamado mineração, sob o qual participantes verificam e registram pagamentos em um livro-caixa público em troca de honorários por transação e de bitcoins recém-cunhados. É possível obter bitcoins por mineração ou em troca de produtos, serviços ou outras moedas.

E algumas empresas agora aceitam pagamentos com a moeda virtual.

Aos olhos do público, porém, um ar de precariedade e marginalidade cerca a moeda. Ela servia, por exemplo, como método preferencial de pagamento aos personagens escusos que compravam e vendiam produtos ilícitos no mercado online Silk Road (que já foi fechado).

E na semana passada a Mt Gox, uma das mais importantes bolsas de bitcoins, pediu concordata, alegando ser "altamente provável" que um defeito em seus sistemas de computação tivesse permitido que pessoa ou pessoas desconhecidas roubasse(m) 750 mil bitcoins de seus usuários. Isso significa cerca de US$ 500 milhões em dinheiro velho e, porque não existe um sistema de proteção a depósitos no mundo das criptomoedas, muita gente se viu repentinamente bem mais pobre do que imaginava, e muito zangada por isso.

MEIO DE TROCA

Esses revezes resultaram em uma verdadeira orgia de comentários do tipo "eu não disse", o que é justo. Mas, no calor da batalha, um ponto importante parece ter sido ignorado. O dinheiro serve a três funções: como meio de troca, unidade de contagem e forma de armazenar valor.

A história recente demonstra que o bitcoin executa mal a segunda e a terceira dessas funções. Sua volatilidade o torna inútil como veículo de hedge contra riscos. Mas resta a primeira função - como meio de troca.

E é quanto a isso que as coisas se tornam realmente interessantes, porque o bitcoin parece se sair bem nesse papel ao tornar pagamentos online de pequenas quantias muito baratos e fáceis.

Desde que a Web decolou, uma das coisas que dificultam a realização do verdadeiro potencial do comércio e da venda de conteúdo online é o custo elevado das transações online seguras.

Os cartões de crédito tipicamente exigem pagamento de 2,5% a 5% sobre cada transação, o que torna os "micropagamentos" (da ordem de frações de centavo por transação) impossíveis. E o fato é que o bitcoin serve muito bem a micropagamentos, o que significa que ele poderia realmente causar uma virada no jogo.

O bitcoin pode perdurar ou não. Mas talvez tenha chegado a hora do sucesso para a ideia que lhe serve de base.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Folha de S.Paulo: Google anuncia trabalhar em versão do Android para relógios


Fabrizio Bensch/Reuters 

Samsung Galaxy Gear, o relógio inteligente 
da Samsung com Android

O Google lançará dentro de duas semanas um pacote de ferramentas para o Android voltado para fabricantes de relógios conectados e outros exemplos de computadores vestíveis, anunciou o executivo responsável pelo sistema e outras plataformas dentro do Google, Sundar Pichai.

Pichai, que falou durante o festival SXSW Interactive, que é realizado até amanhã, em Austin, nos EUA. "Queremos criar um conjunto de protocolos pelos quais eles [desenvolvedores] possam trabalhar juntos", disse. "Quando dizemos 'vestíveis', estamos pensando muito mais amplamente."

Recentemente, surgiram rumores de que o Google estaria criando, junto com a LG, seu primeiro relógio inteligente. Pichai não comentou sobre a possibilidade de sua empresa estar criando um "smartwatch", contudo.

O Android é o sistema operacional do Google para tablets e celulares, mas que vem sendo empregado também em "smartwatches" (caso do Galaxy Gear, da Samsung), TVs, câmeras, videogames, sistemas de entretenimento de automóveis e geladeiras.

À BBC, o analista Geoff Blaber, da CCS Insight, disse que o movimento é "lógico". "Da perspectiva do Google, é essencial que introduza alguma consistência nesse espaço de vestíveis, que está se fragmentando rapidamente."

A Samsung, que usava android em seus relógios conectados, deixou de usar o software em um nome do Tizen, cujo desenvolvimento é em parte responsabilidade da empresa sul-coreana, junto com Intel, Panasonic, Huawei, entre outras.

O Smartwatch 2, da Sony, também roda Android, na sua versão 4.0 (Ice Cream Sandwich).

O SXSW Interactive faz parte de uma série de festivais da South by Southwest. O SXSW Film, por exemplo, está sendo realizado desde a sexta (7) até sábado (15) e, o SXSW Music, vai de terça (11) a sábado (15).

Olhar Digital: Usuários do WhatsApp agora podem pagar anuidade dos amigos


Quem usa o WhatsApp em smartphone com Android agora pode ajudar os amigos a usar o aplicativo gratuitamente. Basta, para isso, que pague a conta do outro.

Ontem a empresa liberou a versão 2.11.186 do app, que vem com um recurso que permite o pagamento da assinatura para um contato. O WhatsApp só é gratuito no primeiro ano de uso; depois disso é cobrada uma taxa anual de US$ 0,99. Se um contato não tiver como arcar com os custos, você pode providenciar para ele a assinatura por um, três (US$ 5,67) ou cinco anos (US$ 3,71).

Há outras novidades nesta versão, como a adição de um atalho para a câmera que acelera o envio de imagens; nova configuração de privacidade para "último visto", foto de perfil e status; opção para mostrar mensagens não lidas no widget; maior pré-visualização de vídeos, entre outras.

Folha de S.Paulo: Blog de repórter americano expõe submundo da internet


NICOLE PERLROTH

No último ano, criminosos cibernéticos do Leste Europeu se apropriaram da identidade de Brian Krebs meia dúzia de vezes, tiraram seu site do ar, enviaram material fecal e heroína para a sua porta e mandaram uma unidade da Swat até a casa dele. "Não consigo imaginar o que os meus vizinhos pensam de mim", disse Krebs.

Com uma espingarda calibre 12 ao seu lado, Krebs, 41, escreve um blog de grande leitura sobre segurança cibernética, o qual cobre um aspecto particularmente obscuro da internet: cibercriminosos em busca de lucros, boa parte em ação a partir do Leste Europeu e ganhando bilhões com malwares, spam, vendas de produtos farmacêuticos, fraudes e furtos de cartões de crédito.

Ele está tão enfronhado no submundo digital que trata pelo primeiro nome alguns dos maiores criminosos cibernéticos. Muitos lhe telefonam regularmente, passam para ele documentos sobre rivais e tentam suborná-lo e ameaçá-lo para que mantenha seus nomes e negócios fora do blog.

Sua aparência e o jeito simples de falar parecem mais apropriados a um corretor de imóveis do que a um homem que passa a maior parte das horas em que está acordado estudando os pontos cegos da internet. Mas poucos fizeram mais do que Krebs para lançar luz no submundo digital.

Sua obsessão pelos hackers começou quando ele era apenas mais uma vítima. Em 2001, um worm –software maligno que pode se espalhar rapidamente– bloqueou o acesso ao seu computador doméstico. "Eu me senti como se alguém tivesse invadido minha casa", recorda-se Krebs.

Ele começou a examinar o assunto. E continuou observando, aprendendo sobre spam, worms e todo o segmento subterrâneo por trás deles. Enquanto se exercitava em sua esteira, aprendeu por conta própria a ler russo. Por fim, sua raiva e curiosidade se transformaram em um trabalho permanente no "Washington Post" e, depois, em seu blog pessoal.

"Muitos do setor, como nós, o procuram para entender o que os criminosos do Leste Europeu estão fazendo", disse Rodney Joffe, da Neustar, empresa de infraestrutura de internet.

Daniel Rosenbaum/The New York Times 
O blog de Brian Krebs revelou a violação de
dados nas lojas da rede americana Target no 
ano passado

Esse foi o caso, em dezembro, quando Krebs revelou o que pode ter sido o maior roubo conhecido de cartões de crédito na rede. Ele expôs brechas em lojas como Target, Neiman Marcus e Michaels e na White Lodging, que administra franquias para grandes redes de hotéis, como Hilton, Marriott e Starwood. Pelo menos dez outros varejistas podem ter sido invadidos pelos mesmos hackers que atacaram a Target, mas relutam em admitir isso.

Roubos pela internet costumam ser abafados pelas empresas, temerosas de que a revelação cause ainda mais danos do que a própria invasão, o que faz com que os hackers ataquem várias empresas antes de os consumidores ficarem sabendo disso.

"Há muita coisa acontecendo nesse setor que impede o fluxo da informação", disse Krebs.

O total de vítimas das violações dos sites da Target, Neiman Marcus e outros agora ultrapassa um terço da população dos EUA –Factoide sombrio que pode oferecer a Krebs uma estranha sensação de que sua carreira está justificada.

Em 2005, ele criou o blog Security Fix, no "Washington Post", onde às vezes deixava editores exasperados por usar jargões dos hackers e enervava outros, que temiam uma excessiva proximidade dele com as fontes.

Em 2009 o "Post" pediu a Krebs que ampliasse seu foco para noticiário e políticas de tecnologia. Como ele se recusou, deixou o jornal. Ele usou sua indenização para iniciar um blog, tendo como base um quarto de hóspedes em Annandale (Virgínia), na casa que divide com a mulher. Lá, três telas de computador o ajudam a se manter em dia com o que acontece no submundo.

O número de leitores de Krebs está crescendo. Em dezembro, 850 mil visitaram seu blog. Embora não revele cifras, Krebs diz que seus rendimentos atuais, vindos de anúncios, palestras e consultoria, tiveram um "bom salto" em relação ao que ganhava no "Post".

Mas há riscos. "O trabalho que ele faz identificando hackers do Leste Europeu é inspirador", disse Tom Kellermann, especialista em cibersegurança. "Mas Brian precisa de um guarda-costas."

PERIGOS

Criminosos russos passam rotineiramente a Krebs informações sobre seus rivais, obtidas por meio de hackers. Depois de um episódio desses, ele começou a receber ligações diárias de um grande criminoso cibernético russo querendo seus arquivos de volta. Krebs está escrevendo um livro sobre essa provação, chamado "Spam Nation", a ser lançado.

Enquanto isso, hackers estão competindo em um jogo perigoso pra ver quem consegue superar os demais em armar a brincadeira mais embaraçosa para Krebs. Eles costumam furtar sua identidade. Um deles abriu uma linha de crédito de US$ 20 mil em seu nome. Outros já pagaram a sua conta da TV a cabo com cartões de crédito furtados.

Em março, enquanto se preparava para receber a mãe para o jantar, Krebs abriu a porta de casa e se deparou com uma equipe da Swat apontando armas semiautomáticas para ele. Alguém havia ligado para a polícia e informado falsamente que havia ocorrido um homicídio na sua casa.

Quatro meses depois, alguém enviou pacotes de heroína para a casa de Krebs e depois fez um telefonema para a polícia se passando por seu vizinho. Mas Krebs já havia sido alertado. Ele havia acompanhado a fraude em um fórum particular –onde um criminoso tinha postado o número de rastreamento da remessa– e alertou a polícia local e o FBI.

Em janeiro, sua mulher recebeu um e-mail da Target informando-a de que o endereço de e-mail e outros dados pessoais deles haviam sido violados.

"Eu recebi essa carta", disse ele, "e só me restou rir".