terça-feira, 6 de maio de 2014

Folha de S.Paulo:Redes isoladas ganham adeptos por medo de espionagem na internet

Folha de S.Paulo:Redes isoladas ganham adeptos por medo de espionagem na internet 
CARLOTTA GALL
JAMES GLANZ

Esta cidade pesqueira no Mediterrâneo é o local improvável de um experimento para refazer a internet global. Mas os moradores daqui têm um surpreendente nível de conhecimento digital e lembranças bem nítidas de como a internet pode ser mal empregada.

Um grupo de acadêmicos e entusiastas da computação participantes da revolta de 2011 que derrubou a ditadura na Tunísia ajudou sua cidade a se tornar um caso de teste para uma alternativa: uma rede local fisicamente separada, feita de antenas habilmente programadas e espalhadas pelos telhados.

O Departamento de Estado americano forneceu US$ 2,8 milhões (R$ 6,19 milhões) a uma equipe de fanáticos por software, ativistas digitais e hackers americanos que desenvolveram o sistema, chamado de rede em malha, de modo a permitir que dissidentes do exterior se comuniquem com mais liberdade e segurança do que na internet aberta.

Um alvo que certamente vai provocar debate é Cuba: a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) prometeu US$ 4,3 milhões (R$ 9,5 milhões) para criar redes em malha por lá.

Outros projetos financiados pelo Departamento de Estado mostraram que a malha poderia servir a moradores em bairros pobres de Detroit e foram a tábua de salvação digital em parte do Brooklyn durante o furacão Sandy. Mas, assim como no exterior, os americanos cada vez mais citam o temor da espionagem governamental ao explicar o apelo das redes em malha.

EUA E SNOWDEN

Desde que o projeto da malha surgiu, em 2011, seu objetivo original –contornar os espiões do governo– virou um assunto desconfortável para autoridades americanas que apoiavam o projeto.

Isso porque a Agência de Segurança Nacional americana (NSA), segundo documentos vazados por Edward Snowden, mostrou ser uma espiã mundial na internet.

Sascha Meinrath, da New America Foundation, de Washington, grupo que vem desenvolvendo o sistema em malha, disse que recebeu "centenas de pedidos de consulta dos EUA inteiros" após as denúncias de Snowden.

"As pessoas estão nos perguntando como proteger sua privacidade", disse Meinrath.

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