
São Paulo - Driblando o atual cenário econômico que pesa sobre o varejo tradicional, o ainda jovem mercado brasileiro de comércio eletrônico tem a seu favor um vasto espaço ainda não preenchido, com perspectiva de mais que dobrar de tamanho até 2020, tendo empresas especializadas e de menor porte como protagonistas.
Pouco mais de uma década após despontar, o varejo online no país vem ganhando impulso, apoiado na combinação de aumento de renda da população e maior número de consumidores com acesso à Internet, que demandam maior oferta de produtos e serviços.
Segundo dados da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Camara-e.net), hoje as vendas via Internet correspondem a apenas 2 por cento do varejo total no país, enquanto em mercados desenvolvidos, como os Estados Unidos, o nível é de 5 por cento.
"O comércio eletrônico vem crescendo de forma superior ao varejo tradicional e, com a perspectiva de continuar aumentando em cerca de 30 por cento ao ano, é possível dobrar essa participação", disse o professor de marketing do Insper Silvio Laban.
Atualmente, o comércio eletrônico brasileiro é formado por cerca de 40 milhões de consumidores, número que vem avançando, entre outros fatores, pelo Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) -que oferece conexão à Internet de alta velocidade a preços populares-, apontou o vice-presidente da Camara-e.net, Leonardo Palhares.
De acordo com a empresa de pesquisas ExactTarget, 42 por cento dos consumidores brasileiros têm acesso à rede, contra 83 por cento nos EUA e 82 por cento no Reino Unido.
Na visão dos profissionais que acompanham o setor, entretanto, o segmento ainda não se desenvolveu de forma mais acelerada por entraves ligados principalmente a infraestrutura e logística, que prejudicam prazos de entrega.
"É cada vez mais difícil entregar com prazos razoáveis", disse o analista Luiz Cesta, da Votorantim, citando como maiores prejudicadas as companhias líderes do setor.
Diante da necessidade de oferecer um mix de parcelamento de compras, frete grátis e ainda entregar as mercadorias no prazo, muitas dessas empresas tiveram suas operações pressionadas, abrindo espaço para a entrada de rivais menores no segmento.
A maior frustração do mercado tem sido a líder B2W, dona dos sites Submarino, Americanas.com e Shoptime. Após ter sido alvo de processos por atrasos em entregas, a empresa alongou prazos, ainda que sob o risco de perder vendas.
"Ainda não esperamos grandes melhorias na operação da B2W... além de concorrência maior, vemos dificuldades até que os investimentos comecem a maturar", afirmou Cesta.
A vez das menores - O vácuo deixado por empresas como a B2W, que tiveram seu ritmo de crescimento travado, fez com que muitas companhias buscassem garantir um lugar no mercado, que deve encerrar 2012 com faturamento de 23,4 bilhões de reais.












